O projeto "Desenvolvimento Humano no Brasil"

Em 1990, o PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, apresentou seu primeiro Relatório sobre o Desenvolvimento Humano, onde introduziu uma nova conceituação do desenvolvimento e um novo indicador, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com o objetivo de medir a qualidade de vida e o progresso humano em âmbito mundial.

Esse novo conceito, por incorporar dimensões que ultrapassavam a abordagem meramente econômica até então amplamente dominante, representou um grande avanço e teve profundo impacto na opinão pública, nas comunidades acadêmicas, e nos governos através do mundo. Desde então os relatórios internacionais vem publicando anualmente o IDH e outros indicadores econômicos e sociais para um grande número de países.

Em 1996 foi publicado o primeiro Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no Brasil, elaborado pelo PNUD e pelo IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que deu mais um passo ã frente, apresentando o IDH e seus componentes desagregados por grandes regiões e por estados, e permitindo assim um mapeamento muito mais preciso do desenvolvimento humano no Brasil e uma análise muito mais acurada das disparidades existentes no país, que não podem ser percebibas quando se trabalha apenas com as médias nacionais dos indicadores.

Ainda em 1996, a FJP- Fundação João Pinheiro associou-se ao IPEA para a adaptação da metodologia do PNUD, de forma a permitir a aplicação dos conceitos e medidas do desenvolvimento humano a unidades geo-político-administrativas ainda mais desagregadas que o nível estadual. Foram criados dois novos índices o Índice Municipal de Desenvolvimento Humano (IDH-M) e o Índice de Condições de Vida (ICV) - e pela primeira vez foram calculados índices de desenvolvimento humano referentes ao nível local - municípios e microrregiões.

O presente trabalho é fruto do Projeto BRA/97/007 - Desenvolvimento Humano no Brasil

, desenvolvido através de uma parceria entre o PNUD, o IPEA e a FJP, com a importante colaboração do IBGE. A metodologia desenvolvida em 1996 recebeu novos aperfeiçoamentos, e o resultado, pioneiro em nível mundial, é o cálculo e a análise de índices de desenvolvimento humano para todos os municípios e microrregiões do Brasil.

Ao apresentar de forma extremamente detalhada as nuances do desenvolvimento humano no país, esses resultados falam por si, e comprovam o acerto dessa linha de trabalho e sua relevância para o conhecimento de nossa realidade social e para a ação da sociedade e dos governos no enfrentamento dos desafios.

Vale a pena ressaltar ainda que, além dos índices sintéticos (IDH-M e ICV), o projeto gerou também um conjunto de vinte indicadores econômicos e sociais de grande interesse. Vários deles como a renda familiar per capita, os índices de concentração de renda, os indicadores referentes à escolaridade da população e ao atraso escolar, o indicador de trabalho infantil, os indicadores de condições de habitação e de saneamento, a esperança de vida ao nascer e taxa de mortalidade infantil, por exemplo, são inéditos nesse nível de desagregação, com cobertura completa e homogênea de todo o território nacional. É a primeira vez que esses indicadores são gerados através de metodologia rigorosa e uniforme para todos os municípios e microrregiões do país e isso é, por si só, uma valiosa contribuição.

É também digna de nota a forma de disponibilização dos resultados. Foi produzido especialmente para este projeto, pela ESM Consultoria, de Belo Horizonte, um software extremamente amigável e de alta qualidade, que permite ao usuário comum não só o acesso instântaneo e organizado aos milhões de ítens de informação contidos no banco de dados, mas também a criação fácil e imediata de centenas de milhares de mapas temáticos, gráficos e relatórios referentes a qualquer município, microrregião, estado ou região, e a qualquer índice sintético ou indicador individual. Qualquer tabela, mapa, gráfico ou relatório pode ser impresso ou exportado para outros aplicativos.

Esta forma de divulgação representa, sem dúvida, um avanço inestimável no sentido da democratização do acesso a informações, pois com ela a rica base de dados fica inteiramente ao alcance de todos os interessados e pode ser facilmente operada por estudantes, professores, pesquisadores, jornalistas, técnicos, políticos, governantes, ou por qualquer cidadão , sem necessidade de conhecimento técnico especializado em qualquer área.