8 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Escolaridade das mulheres supera a dos homens no Brasil

(8 de março/99)

 

A década de 90 marca a virada das mulheres sobre os homens brasileiros em nível de escolarização. O levantamento é do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

A proporção de pessoas analfabetas já é significativamente menor entre as mulheres do que entre os homens em todos os grupos com até 39 anos de idade. As mulheres também ultrapassaram os homens em número médio de anos de estudos e, nas salas de aula, reinam absolutas: 85_ dos 1,6 milhão de professores da educação básica em todo o país são do sexo feminino.

As mulheres já são maioria entre os alunos do ensino médio e do ensino superior e entre os alunos da 5ª à 8ª série do ensino fundamental.

De acordo com a última contagem populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1996, não há grande diferença entre a taxa de analfabetismo dos homens e das mulheres - respectivamente, 14,5_ e 14,8_.

Observa-se, entretanto que a queda do analfabetismo entre os jovens é muito mais acentuada na população feminina. Na faixa etária de 15 a 19 anos, a taxa é de 7,9_ para os homens e 4,0_ para as mulheres. Na população com faixa etária entre 20 e 24 anos, a taxa de analfabetismo é de 8,7_ para os homens e de 5,5_ para as mulheres. No grupo com faixa etária entre 25 e 29 anos, a taxa é de 10_ para os homens e de 6,4_ para as mulheres. Entre a população na faixa etária entre 30 e 39 anos, o índice de analfabetismo é de 11_ para os homens e de 9,4_ para as mulheres.

Já nos grupos com faixa etária entre 40 e 49 anos, e 50 anos ou mais, a situação se inverte. Entre a população com idade entre 40 e 49 anos, há 15,8_ de homens analfabetos e 15,9_ de mulheres sem nenhuma escolaridade. No grupo com 50 anos ou mais, a taxa de analfabetismo é de 28,1_ para os homens e de 34,4_ para as mulheres.

Até o final dos anos 80, os homens estavam em vantagem em termos de média de anos de estudo. Esta posição se inverteu na década de 90, quando as mulheres melhoraram mais rapidamente o seu perfil educacional. Com efeito, no período de 1990 a 1996, a média de anos de estudo aumentou de 5,1 para 5,7 entre os homens e de 4,9 para 6,0 entre as mulheres, o que indica que elas deram um salto de quase um ano enquanto eles avançavam meio ano.

As mulheres também são maioria dos alunos matriculados no ensino médio e no ensino superior. Elas somavam 56_ dos 6,9 milhões de alunos que estavam matriculados no ensino médio e 54_ dos 2,1 milhões de alunos matriculados no ensino superior no ano passado.

No ensino fundamental, a maioria predominante ainda é de alunos do sexo masculino. Dos 35,8 milhões de alunos existentes no país, 51_ são do sexo masculino, mas as meninas já superam os meninos entre a 5ª e a 8ª séries. Os meninos são maioria nas séries iniciais do ensino fundamental porque repetem mais de ano e também porque ingressam precocemente no mercado de trabalho.

Dentre os fatores socioeconômicos e culturais que explicam esta virada das mulheres sobre os homens em nível de escolarização, o de maior influência tem sido o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, estimulando-as a buscar um melhor nível de escolaridade, até mesmo como forma de compensar a discriminação salarial de gênero que continua existindo, conforme comprovam pesquisas recentes.

Por outro lado, e paradoxalmente, a perversa e precoce entrada no mercado de trabalho das crianças e adolescentes do sexo masculino provenientes das famílias de baixa renda deve estar contribuindo para o avanço mais acelerado das mulheres em termos de escolaridade.

A forte associação entre pobreza e trabalho infantil reforça perversamente essa diferenciação de gênero, em detrimento das crianças e adolescentes do sexo masculino, pois eles são chamados com maior freqüência a contribuir com o sustento da família em atividades incompatíveis com a rotina escolar. Embora também se verifique incidência de trabalho infantil entre as meninas pobres, em geral elas se dedicam mais a afazeres domésticos, mais facilmente compatíveis com os horários e atividades da escola.

Nível de instrução evolui mais rápido

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 1996, mostra que o nível de instrução das mulheres evolui de forma mais rápida que dos homens. Na população masculina, o contingente que conclui pelo menos o ensino médio passou de 13,4_ para 15,1_, de 1992 a 1996, e na população feminina, de 14,7_ para 17,3_.

Na população ocupada, o nível de instrução das mulheres continuou crescendo e mantendo-se mais elevado que o dos homens. De 1992 a 1992, a proporção de pessoas ocupadas com pelo menos o ensino médio concluído passou de 15,9_ para 18,5_ na população masculina, e de 22,4_ para 27,3_ na feminina.

Rendimento das mulheres continua baixo

Apesar do melhor nível de instrução, as mulheres continuam tendo rendimento menor que os homens. As informações são da Pnad/96. No ano de 1992, o rendimento médio de trabalho das mulheres representava 53,2_ do recebido pelos homens. Esta relação chegou a 54,1_ em 1995, e subiu para 58,7_ em 1996, reduzindo um pouco a defasagem entre as remunerações médias de trabalho dos dois sexos.

No Provão/98, mulheres foram maioria

No Exame Nacional de Cursos, o Provão, do ano passado, as mulheres também já eram maioria entre os graduandos. Nos dois primeiros exames, o percentual de alunos do sexo masculino era um pouco superior ao do sexo feminino. No Provão de 1997, as mulheres eram maioria apenas no curso de odontologia.

Em 98, elas foram a maioria nos cursos de direito, jornalismo, letras, matemática e odontologia. Os homens são maioria nos cursos de administração, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia química e medicina veterinária. O percentual de mulheres está se aproximando dos homens em administração e medicina veterinária.

O curso dominado pelos homens é engenharia elétrica, com 89,9_ dos graduandos. A seguir, vêm engenharia civil (75,5_), engenharia química (57,3_), administração (52,1_) e medicina veterinária (50,6_). Letras, por sua vez, é o curso com a menor participação de graduandos masculinos (13,9_).

O curso que tem a predominância das mulheres é letras, com 86,4_ dos graduandos. As mulheres são maioria, ainda, em jornalismo (64,9_), odontologia (63,3_), matemática (60,7_) e direito (50,9_). Engenharia elétrica é o curso com o menor percentual de mulheres (10,1_)

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