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JOAN
ROBINSON - BIBLIOGRAFIA AMPLIADA
Claudia
Heller
Departamento
de Economia da Faculdade de Ciências e Letras - Câmpus de
Araraquara - FCLAr - Universidade Estadual Paulista - UNESP.
UMA BREVE BIOGRAFIA
Joan
Violet Robinson nasceu em 31 de outubro de 1903, em Camberley, Surrey,
Inglaterra e faleceu em 05 de agosto de 1983, em Cambridge, Inglaterra.
Nasceu
numa família de classe média e de fortes princípios
éticos. Seu bisavô paterno, Frederick Denison Maurice, envolveu-se
em controvérsias religiosas perdendo, por conseqüência,
a cadeira de Teologia (Filosofia Moral) no King’s College. Seu pai, Major
General Sir Frederick Barton Maurice, acusou publicamente o Primeiro Ministro
Lloyd-George de enganar o Parlamento Britânico e o País,
por recusar-se a reforçar o exército britânico no
front ocidental durante a I Guerra Mundial. O debate que se seguiu
ficou conhecido como "questão Maurice" e custou-lhe a
carreira no exército. Para a unanimidade dos biógrafos de
Joan Robinson, estes dois debates públicos, um em torno de questões
religiosas, outro em torno de questões militares - ambos em função
de posições de princípios - marcaram sua personalidade
e particularmente sua atuação na vida pública e acadêmica,
caracterizada pelo não-conformismo, pela paixão por desafios
e por uma certa irreverência.
Estudou
Economia no Girton College da Universidade de Cambridge de 1921 a 1925
e logo depois de graduada casou-se com Edward Austin Gossage Robinson,
na época um Junior Fellow do Corpus Chisti College de Cambridge.
De 1926 a 1929 os Robinson moraram na Índia, onde E.A.G. Robinson
assumiu o cargo de tutor do Marajá do estado de Gwalior. Durante
sua estadia naquele país, Joan Robinson participou de um grupo
que discutia a transferência de recursos entre os estados semi-independentes
do Principado Indiano, a Índia Britânica e a Coroa Britânica.
O estudo coletivo, intitulado The British Crown and the Indian States,
foi levado a Londres por representantes indianos para ser apresentado
em uma reunião que trataria do assunto. Joan Robinson foi acompanhando
o grupo como a única economista treinada e ativamente envolvida
com a apresentação do relatório. Não parece
haver dúvidas de que sua experiência na Índia - e
isto é consensual em todas as suas biografias - criou um vínculo
afetivo e intelectual entre ela e aquele país, que se refletiria
também na sua permanente preocupação com os problemas
dos países subdesenvolvidos.
Assim
que retornou a Cambridge, iniciou sua carreira acadêmica na qualidade
de supervisora e tutora de estudantes da graduação. Na mesma
época começou a atuar junto ao Partido Trabalhista sob a
influência de Hugh Dalton (que posteriormente se tornaria Ministro
da Fazenda).
Joan
Robinson tornou-se Junior Assistant Lecturer em 1931 e Full
Lecturer em 1937. Entre 1930 e 1940 teve duas filhas (Ann, nascida
em maio de 1934 e Barbara, em outubro de 1936) e escreveu três livros:
A Economia da Concorrência Imperfeita (1933), Ensaios
sobre a Teoria do Emprego (1937) e Introdução à
Teoria do Emprego (1937), além de vários artigos e resenhas.
Na década de 1940, durante a II Guerra, participou do Comitê
de Reconstrução ("Party’s Reconstruction Committee")
do Partido Trabalhista Britânico através do Subcomitê
para as Finanças do Pós-Guerra ("Postwar Finance
Subcommittee") e colaborou na elaboração de alguns
documentos oficiais como, por exemplo, o de William H. Beveridge, intitulado
Full Employment in a Free Society (1944), ou o Interim Report
on Post-War Reconstruction (1944). Além destas atividades,
e ainda durante a década de 1940, Joan Robinson participou de comissões
que tratavam de temas como monopólio, preços e patentes:
serviu numa comissão governamental para rever a Lei Britânica
de Patentes e Projetos ("Swan Committee of Patents"),
numa outra para rever os Monopólios e Práticas Restritivas
na indústria britânica ("Monopoly Commission")
e no Comitê sobre Manutenção dos Preços de
Revenda ("Committee on Resale Price Maintenance"). Destas
atuações resultaram alguns trabalhos que são relativamente
pouco conhecidos como, por exemplo, Unless We Plan Now - Private Enterprise
or Public Control (1942), ou The Problem of Full Employment: An
Outline for Study Circles (1943) ou ainda Statement Submitted to
the Committee on Resale Price Maintenance (Robinson et al. 1947/1964).
Sua carreira acadêmica, entretanto, não foi interrompida
por estas atividades: no início da década publicou Um
Ensaio sobre a Economia Marxista (1942) e, em 1949, tornou-se Reader.
As
décadas de 1950 em diante representam seu período acadêmico
mais fértil: tornou-se membro da British Academy em 1958, Fellow
do Newnham College em 1962, mas só se tornou Full Professor
em 1965, depois que seu marido se aposentara da Universidade de Cambridge
(e conforme as regras da academia britânica). Neste mesmo ano, tornou-se
também Fellow do Girton College e, em 1979, foi a primeira
mulher a se tornar Fellow do King’s College. Se não interrompeu
a carreira acadêmica, tampouco abandonou as atividades públicas:
foi delegada da Conferência Econômica de Moscou ("Moscow
Economic Conference") e nesta qualidade fez a primeira de várias
viagens à então União Soviética. Foi vice-presidente
do Conselho Britânico para a Promoção do Comércio
Internacional com a China ("British Council for the Promotion
of International Trade with China"), tendo visitado este país
varias vezes ao longo de sua vida. Em 1957, visitou o então Ceilão
(atual Sri Lanka), como convidada do governo para assessorar o Conselho
Nacional de Planejamento ("National Planning Council").
Estas viagens geraram vários artigos e suas experiências
na China estão relatadas em livros tais como Letters from a
Visitor to China (1954), Notes from China (1964) e Reports
from China: 1953-1976 (1977).
Aposentou-se
em setembro de 1971, mas continuou viajando e dando conferências
em várias partes do mundo. No Brasil, proferiu palestras na Universidade
de Brasília, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Fundação
Getúlio Vargas (SP) e na Universidade Estadual de Campinas.
Joan
Robinson contribuiu para o desenvolvimento da teoria econômica contemporânea
através da construção de um novo arcabouço
analítico de inspiração principalmente keynesiana
e marxista (mas não apenas) e nunca deixou de enfrentar todos os
importantes debates teóricos, metodológicos e mesmo ideológicos
do seu tempo. As influências que recebeu foram inúmeras,
e as que continua exercendo são praticamente incontáveis.
Particularmente
nos Estados Unidos, um ambiente no qual suas idéias foram mais
combatidas, a importância e qualidade do seu trabalho foram amplamente
reconhecidas. A American Economic Association reproduziu vários
dos seus artigos em algumas de suas antologias, como Readings in the
Theory of International Trade (1950), Readings in the Theory of
Income Distribution (1951), Readings in Price Theory (1952)
e Readings in Microeconomics (1968). A American Philosophical Society
publicou um artigo em sua homenagem no anuário de 1984- ver Deane
(1984) - e seus acirrados debates com os norte-americanos de todas vertentes
teóricas foram estudados no livro de Marjorie Turner - Joan
Robinson and the Americans (1989). Talvez a maior homenagem tenha
vindo do M.I.T. que, em 1980, reeditou os cinco volumes dos seus Collected
Economic Papers, incluindo um sexto volume na qualidade de Índice
Geral. Deve-se mencionar também, que no final de sua vida, foi
convidada a dar várias palestras em universidades norte-americanas,
e, até mesmo, a abrir a Reunião Anual da American Economics
Association de 1971, quando proferiu uma palestra que se tornou um dos
seus textos mais famosos - "The Second Crisis of Economic Theory".
Além disso recebeu, em 1980, o título honorário de
Doctor of Laws da Universidade de Harvard.
Chama
também a atenção a publicação de livros
que reúnem inúmeras e variadas interpretações
de seu legado intelectual, segundo o ponto de vista dos mais importantes
representantes das diferentes escolas de pensamento econômico. No
formato de edições dedicadas a homenagear a Autora, deve-se
mencionar três periódicos de circulação internacional:
o volume 07 do Cambridge Journal of Economics (1983), o volume
37 da revista Economie Appliquée (1985) e o volume 12, ainda
em preparação e com previsão de publicação
em 2000, da Cahiers d’Économie de l’Innovation, que terá
como tema e título "Joan Robinson: Héresies Économiques".
Inúmeras foram também as homenagens póstumas que
a Autora recebeu, em periódicos de todas as partes do mundo, bem
como os ensaios avulsos que analisam, desenvolvem e divulgam sua contribuição
à teoria econômica contemporânea, alguns dos quais
à luz de material inédito.
A
importância de Joan Robinson pode ainda ser apreciada pelas citações
presentes nas principais enciclopédias biográficas e/ou
temáticas de economia e de ciências sociais, tais como International
Encyclopaedia of the Social Sciences (Sills 1979), Contemporary
Economists in Perspective (Spiegel e Samuels 1984), A Biographical
Dictionary of Dissentig Economists (Arestis e Sawyer 1991), Post-Keynesian
Essays in Biography: Portraits of Twentieth Century Political Economists
(Harcourt 1993), Political Economy in the Twentieth Century (Berg
1990), Twelve Contemporary Economists (Shackleton e Locksley 1981),
Great Economists Since Keynes: An Introduction to the Lives and Works
of One Hundred Modern Economists (Blaug 1985), The Mind and the
Method of the Economist - A Critical Appraisal of Major Economists in
the 20th Century (Loasby 1989), Adam Smith’s Daughters (Thomson
1973), Engagement Calendar 1985: Great Economists (Stigler e Friedland,
1984) e Pioneers of Modern Economics in Britain (Greenaway e Presley
1989). Sua biografia oficial vem sendo preparada por Geoffrey Harcourt,
e deverá intitular-se Joan Robinson and Her Circle.
Joan
Robinson tratou de todos os temas relevantes da economia, com destaque
para o problema do desemprego, o processo de acumulação
de capital e as questões relativas ao desenvolvimento econômico.
O conjunto de sua obra é composto por várias coletâneas,
três livros-texto (todos traduzidos para o português) e uma
enorme quantidade de artigos, que incluem textos didáticos endereçados
ao movimento sindical, relatórios de suas viagens (principalmente
à Índia, União Soviética e China), e resenhas
tão polêmicas que raramente não deram início
a longas e acirradas controvérsias. Seus livros sobre a concorrência
imperfeita, a teoria marxista, a acumulação de capital,
e crescimento e desenvolvimento econômicos marcaram de forma indelével
a teoria econômica contemporânea.
O
objetivo deste trabalho, entretanto, não é o de oferecer
uma análise ou uma avaliação de sua obra, que não
pode ser feita de forma abreviada. Enquanto Joan Robinson and Her Circle
não estiver disponível, remetemos o leitor à introdução
escrita por Tamás Szmrecsányi à edição
brasileira dos Essays on the Theory of Economic Growth (Ensaios
Sobre a Teoria do Crescimento Econômico , São Paulo,
Abril Cultural, 1983), onde se pode encontrar um bom resumo da contribuição
da autora.
No
que se segue, apresentamos apenas uma brevíssima descrição
do conteúdo e circunstâncias de seus principais trabalhos.
O primeiro, e talvez mais conhecido, é A Economia da Concorrência
Imperfeita (1933), que foi inspirado simultaneamente por Sraffa e
Keynes, e suas respectivas críticas à teoria vigente que
se baseava nos pressupostos da concorrência perfeita e do equilíbrio
com pleno emprego. Os Ensaios Sobre a Teoria do Emprego (1937)
visavam aplicar as principais proposições da Teoria Geral
do Emprego, dos Juros e da Moeda (Keynes 1936), publicada um ano antes,
a alguns temas não contemplados por aquele livro, como, por exemplo,
a teoria do comércio internacional. O livro Introdução
à Teoria do Emprego (1937) tinha por objetivo apresentar, de
forma resumida e didática, o conteúdo central da Teoria
Geral de Keynes, e pode ser considerado como seu primeiro livro-texto.
Durante a II Guerra Mundial, Joan Robinson leu O Capital, de Marx,
e publicou Um Ensaio Sobre a Economia Marxista (1942), com o intuito
de apresentar as idéias de Marx numa linguagem que as tornasse
compreensíveis e compatíveis com a "revolução
keynesiana". O livro Taxa de Juros e Outros Ensaios (1952)
visava expandir a análise da Teoria Geral para o longo prazo
- a ponto de ser reeditado, sob o título A Generalização
da Teoria Geral (1979). Inspirada em inúmeros modelos de crescimento,
que vinham sendo formulados desde o imediato pós-guerra, Joan Robinson
ofereceu sua própria contribuição para o tema em
A Acumulação de Capital (1956), uma obra tão
complexa que deu origem ao livro-texto intitulado Exercícios
de Análise Econômica (1960) e a um conjunto de textos
explicativos, reunidos sob o título Ensaios Sobre a Teoria do
Crescimento Econômico (1962). A Autora publicou ainda um livro
em que discute sua visão da economia enquanto ciência, chamado
Filosofia Econômica (1962) e um sobre os problemas da economia
britânica no pós-guerra, intitulado Economics, An Awkward
Corner (1966). Publicou também Liberdade e Necessidade
(1970), Heresias Econômicas (1971a) e Aspectos do Desenvolvimento
e do Subdesenvolvimento (1979). Finalmente, em co-autoria com John
Eatwell, escreveu seu terceiro livro-texto, intitulado Introdução
à Economia Moderna (1973).
Seus
Collected Economic Papers, em cinco volumes, foram complementados
por outras duas coletâneas - Contributions to Modern Economics
e What are the Questions - Further Contributions to Modern Economics.
Estas sete coletâneas, em geral, reúnem os trabalhos que
ela mesma considerava mais importantes, e, quando reeditadas, receberam
novos e importantes prefácios.
Joan
Robinson contribuiu também para um incontável número
de periódicos de todas as partes do mundo. Alguns merecem referência
especial. Ela colaborou para a Monthly Review, de orientação
marxista, sob a coordenação editorial de Leo Huberman e
Paul Sweezy, quase desde sua criação. Chegou a recusar um
convite, feito por Ragnar Frish (então editor de Econometrica),
para assumir o cargo de vice-presidente da Sociedade de Econometria. O
convite, que foi feito com o intuito de introduzir "mais prosa"
no referido periódico foi recusado sob a alegação
de que ela não poderia constar da comissão editorial de
uma revista cujo conteúdo não entendia. Ambos os convites
foram feitos na mesma época, entre 1950 e 1951. A esse tempo, Joan
Robinson já havia escrito mais de 100 trabalhos, entre livros e
artigos, e já tinha inegável fama internacional.
Obviamente,
nem sempre foi assim. Seu primeiro trabalho, Economics is a Serious
Subject (1932) aparentemente teve dificuldades para ser publicado.
Keynes havia sugerido que ela procurasse, em nome dele, os editores de
The Political Quarterly para publicá-lo. Não se tem
notícia se a Autora chegou a fazê-lo, e neste caso, dos motivos
pelos quais o ensaio teria sido recusado. O fato é que o texto
foi publicado na forma de panfleto. Há outros indícios das
dificuldades encontradas pelos "jovens economistas" de Cambridge
para publicar em outros periódicos que não o The Economic
Journal (cujo editor era Keynes). No arquivo de Richard Kahn, no King’s
College da Universidade de Cambridge, por exemplo, pode-se encontrar uma
carta enviada por ele à Autora, datada de fevereiro de 1933, na
qual perguntava se ela já havia entrado em contato com a revista
Weltwirtschaftliches Archiv ou com outros periódicos norte-americanos.
Embora não mencione explicitamente qual artigo (nem de quem) se
pretendia publicar, as dificuldades parecem evidentes pelo comentário
de Kahn: "Meu Deus, precisamos fundar uma ‘Cambridge Journal of
Economics’!". O Cambridge Journal of Economics só
seria efetivamente criado muitos anos depois, possivelmente porque as
dificuldades de publicação se reduziram rapidamente com
a criação de uma nova revista, a partir da London School
of Economics, e que seria dirigida por representantes de Londres, Cambridge
e Oxford - a que recebeu o nome de The Review of Economic Studies
e o apelido de "children’s magazine". O periódico Cambridge
Journal of Economics foi criado apenas em 1977. Mas é sintomático
que haja contribuições de Joan Robinson nos primeiros números
de ambos: "The Theory of Money and the Analysis of Output" (1933)
e "What has Become of Employment Policy?" (em co-autoria com
Wilkinson 1977), respectivamente.
Ela
participou também dos primeiros volumes de outros dois periódicos
não ortodoxos: para o Journal of Post Keynesian Economics
escreveu "Keynes and Ricardo" (1978) e para o Contributions
to Political Economy contribuiu com "The Current State of Economics"
(1982). Além disso, desempenhou um papel fundamental na constituição
da abordagem pós-keynesiana, inclusive nos Estados Unidos, como
atestado pela sua correspondência com Alfred Eichner - ver Lee (1994,
1998, 1999). Prefaciou os livros de Kregel (The Reconstruction of Political
Economy - A Introduction to Post-Keynesian Economics) em 1973 e o
de Eichner (A Guide to Post-Keynesian Economics) em 1979. Conforme
Cicarelli e Cicarelli (1996: 27), um livro que Eichner não chegou
a terminar é dedicado a ela: "A Joan Robinson, que ao reunir
pela primeira vez num todo coerente o paradigma alternativo pós-keynesiano,
nos mostrou a saída do Vale da Escuridão que é a
teoria neoclássica".
Embora
tivesse angariado profunda admiração e respeito unânime,
suas idéias nem sempre foram bem compreendidas ou aceitas. Joan
Robinson desenvolveu sua obra teórica em parceria - e às
vezes por confronto - com seus pares. Abba Lerner, Alfred Eichner, David
Champernowne, Edward Chamberlin, Franco Modigliani, Frank Hahn, Gerald
Shove, Gunnar Myrdal, James Meade, James Tobin, Jan Kregel, John Eatwell,
John Hicks, John Kenneth Galbraith, John Maynard Keynes, Kenneth Arrow,
Luigi Pasinetti, Maurice Dobb, Michal Kalecki, Milton Friedman, Nicholas
Kaldor, Paolo Sylos-Labini, Paul Baran, Paul Samuelson, Paul Sweezy, Pierangelo
Garegnani, Piero Sraffa, Richard Kahn, Robert Solow, Ronald Meek e Roy
Harrod são apenas alguns com os quais colaborou, debateu, criticou
e brigou, pessoalmente ou através de seus escritos. Trabalhou incansavelmente
para explicar, divulgar, defender e expandir o escopo da "revolução
keynesiana", ao mesmo tempo em que se envolveu nas mais variadas
controvérsias: discutiu (mas não enfaticamente) as características
imperfeitas ou monopolistas da concorrência não perfeita;
acusou (insistentemente) os marxistas de serem dogmáticos na maneira
com que liam e interpretavam a obra de Marx e debateu (exaustiva e sistematicamente)
o tema da medida e utilidade do conceito de "capital".
Na
bibliografia que segue tentou-se, do modo mais abrangente e sistemático
possível, indicar todas estas mútuas influências.
Apesar
de Joan Robinson não poder mais responder a seus críticos
ou cooperar com seus colaboradores, essa bibliografia não é
e nem jamais será uma obra acabada: em março de 2000 a cidade
de Dunquerque, na França, sediará um Colóquio Internacional
sobre Joan Robinson, e os trabalhos a serem apresentados, ainda que possam
ter interpretações divergentes, certamente atestarão
a permanente importância da contribuição de Joan Robinson
para a compreensão do mundo contemporâneo.
NOTA EXPLICATIVA
À BIBLIOGRIA AMPLIADA
Esta
Bibliografia Ampliada da Obra de Joan Robinson é um subproduto
da Tese de Doutoramento intitulada "Oligopólio e Progresso
Técnico no Pensamento de Joan Robinson", a ser publicada pela
Editora Hucitec. A Bibliografia Ampliada complementa, atualiza e reordena
o material inicialmente pesquisado para a elaboração da
Tese.
Sua
montagem iniciou-se com o material publicado e existente no Brasil, distribuído
entre as diversas bibliotecas universitárias e até mesmo
a do Congresso Nacional. Para reuní-lo, contou-se com o Programa
de Comutação Bibliográfica - COMUT - , da CAPES/SESU
e IBICT/FINEP. Uma parte do material que, embora publicado, não
se encontrava no Brasil, foi obtido através do International Photocopy
Service, Document Supply Centre, da British Library de Londres. A coleta
de material publicado (existente no Brasil e no exterior) foi intermediada
pela Biblioteca da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP/Araraquara.
As
fontes de mais difícil acesso foram pesquisadas na Inglaterra,
num período total de quatro meses. Parte do levantamento foi efetuado
junto ao Modern Archive Centre (King’s College) e à Wren Library
(Trinity College), ambos na Universidade de Cambridge. Estes dois arquivos
guardam a correspondência de Joan Robinson e textos inéditos
(versões manuscritas ou datilografadas), de sua autoria, de seus
contemporâneos e de seus críticos, bem como textos raros
(que incluem panfletos e publicações em jornais e semanários).
Esta coleta foi complementada junto à Marshall Library, da Faculty
of Economics, também na Universidade de Cambridge, e na British
Library em Londres.
Ao
longo da pesquisa fez-se também o levantamento dos artigos que
foram reproduzidos em mais de um periódico e/ou coletâneas,
parcial ou totalmente, e as respectivas alterações, quando
era o caso. Tomou-se o cuidado de verificar se o material constante dos
Arquivos e já se encontrava impresso e incluíram-se as referências
dos textos que foram traduzidos para o português.
Embora
não seja a primeira bibliografia consolidada de Joan Robinson,
esta versão é a mais completa e a mais atualizada possível.
Levantamentos anteriores da obra de Joan Robinson e das obras sobre ela
podem ser encontrados em diferentes publicações, que estão
listadas na última seção desta Bibliografia Ampliada.
Não há entretanto, um conjunto organizado dos seus trabalhos
na forma de "Obras Completas" (como as que existem para John
Maynard Keynes, Michal Kalecki e outros). Além disso (e infelizmente),
nem todos os seus trabalhos sobreviveram à destruição
engendrada pela própria Autora em 1971, que, conforme Turner (1989:
157), visava impedir que se escrevesse sobre sua vida.
Assim,
não existe ainda uma biografia ou uma bibliografia oficial de Joan
Robinson, mas esperamos que esta Bibliografia Ampliada possa ser uma contribuição
neste sentido, pois além da abrangência e atualização,
ela se diferencia das demais pela sua organização.
A
Bibliografia Ampliada divide-se em cinco seções.
A
seção I reúne as Coletâneas de Joan Robinson,
considerando como tal não apenas os Collected Economic Papers
(em cinco volumes) mas também as demais publicações
que reúnem textos que já haviam sido publicados anteriormente
(e, eventualmente, alguns inéditos). Além das informações
bibliográficas tradicionais, tais como título, local de
edição, editora e ano de publicação, esta
seção fornece uma sigla para cada Coletânea. Também
são informadas as reedições e seus detalhes, tais
como: com ou sem revisão, alteração de título,
alteração de editora, etc...
A
seção II reúne a obra completa de Joan Robinson,
ano a ano. Cada artigo ou livro recebe uma numeração que
segue a ordem cronológica - exceto as Coletênas listadas
na seção I, que são identificadas pelas respectivas
siglas. Cada item é acompanhado de informações adicionais,
tais como resenhas (no caso dos livros e das coletâneas) ou outros
artigos (de Joan Robinson e de outros autores) que de alguma forma se
relacionam com o item listado. Indicam-se igualmente (quando é
o caso), os locais em que o item foi reproduzido, incluindo informações
sobre eventuais modificações do texto.
A
seção III reúne as obras publicadas sobre Joan Robinson
- excluindo as resenhas listadas anteriormente - e a seção
IV lista as obras inéditas sobre Joan Robinson. Finalmente, a última
seção indica as principais fontes utilizadas para a elaboração
deste trabalho.
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